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PREVENÇÃO DE DROGAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

A Organização Mundial de Saúde já definiu o abuso de drogas como “uma doença social epidêmica”, destacando o rápido aumento no uso de substâncias como cocaína, opióides e medicamentos psicotrópicos em muitos países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil (OMS, 1999). O consumo de álcool e outras substâncias psicoativas constituem-se grave problema de saúde pública, com sérias conseqüências pessoais e sociais no futuro dos jovens e de toda a sociedade.

Contrapondo esta tendência, deve-se fortalecer a prevenção ao abuso de drogas em toda a rede social, das pequenas comunidades locais às estratégias governamentais. Mais de 20 anos de pesquisas tem ajudado a identificar importantes fatores que colocam as pessoas em risco ou proteção para uso de drogas. O Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas – EUA (NIDA) através de rigorosos estudos científicos descreveu, em termos diretos e acessíveis, os princípios básicos que podem ser aplicados com êxito para prevenir o uso de drogas entre as pessoas jovens.



QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO E FATORES PROTETORES PARA O USO DE DROGAS?

Os fatores associados com o potencial para uso de drogas são os chamados fatores de risco, e aqueles associados com potencial para redução de tal uso são chamados fatores protetores.


1. Fatores de Risco

Os fatores de risco são muitos e tem diferente impacto conforme a fase de desenvolvimento da família. Por esta razão, aqueles fatores que afetam o desenvolvimento precoce são provavelmente os mais cruciais:

  • Ambiente doméstico caótico, particularmente aquele nos quais pais abusam de substâncias ou sofrem (sem tratar) de doença mental.
  • Práticas parentais ineficazes, especialmente com crianças com temperamento difícil e transtorno de conduta. Práticas parentais são as práticas disciplinares adotadas pelos pais na educação de seus filhos.
  • Falta de apego ou vínculo mútuo entre pais e seus filhos.


  • Outros fatores de risco dizem respeito à interação da criança com os agentes socializadores fora da família, especificamente a escola, pares (outras crianças que convivem junto) e a comunidade.

  • Comportamento agressivo e retraído (não participativo) em sala de aula.
  • Fracasso na performance escolar.
  • Habilidades sociais empobrecidas,ou seja, dificuldades para posicionar-se e relacionar-se com as outras pessoas.
  • Afiliação com pares que apresentam comportamentos desviantes.
  • Percepção de que na escola, entre os pares e na comunidade existe “aprovação” do comportamento de uso de drogas.



  • 2. Fatores Protetores

    Estes fatores não são sempre opostos aos fatores de risco. Seu impacto também varia ao longo do processo de desenvolvimento. Os principais protetores incluem:

  • Vínculos fortes com a família.
  • Experiência de monitoramento por parte dos pais com regras claras de conduta dentro da unidade familiar e envolvimento dos pais na vida de suas crianças.
  • Sucesso na performance escolar.
  • Vínculos fortes com instituições pró-sociais tais como família, escola e organizações religiosas.
  • Adoção de normas convencionais sobre uso de drogas.


  • Outros fatores – tais como a disponibilidade de drogas, padrões de tráfico, e crenças de que o uso é geralmente tolerado – influencia o número de pessoas jovens que começam usar drogas.



    QUAIS SÃO OS PERÍODOS DE ALTO RISCO PARA USO DE DROGAS ENTRE JOVENS?

    Para muitas crianças, as pesquisas têm mostrado que os períodos de vulnerabilidade são as transições, quando elas crescem de um estágio do desenvolvimento para outro, ou quando elas experimentam dificuldades de mudanças na vida, tais como crises ou divórcio.

    A primeira grande transição para as crianças é quando elas deixam a segurança da família e entram na escola. Quando elas avançam da pré-escola para o ensino fundamental , elas novamente experimentam mudanças sociais, tais como participar de um grande grupo de pares.

    Existe um estágio, no início da adolescência, que as “crianças” provavelmente se deparam com o uso de drogas pela primeira vez. Mais tarde, quando eles entram no ensino secundário, em face às mudanças sociais, psicológicas e educacionais como se preparar para o futuro, os jovens podem usar e abusar de álcool, tabaco e outras drogas.

    Quando adultos jovens ingressam na universidade ou se casam ou entram para o mercado de trabalho, eles mais uma vez encaram novos riscos para abuso de álcool e outras drogas em seu novo ambiente adulto.

    Devido aos riscos aparecerem a cada transição, da infância até o jovem adulto, os planos de prevenção precisam desenvolver programas que possam prover suporte a cada estágio do desenvolvimento. Os indivíduos, as famílias e as escolas mais conscientes e sensíveis à importância destes momentos de vulnerabilidade e mudança podem se tornar mais eficientes e proteger crianças e jovens.



    QUANDO SE INICIA O USO DE DROGAS, E COMO ISTO SE PROCESSA?

    Os estudos indicam que as crianças muito freqüentemente começam usar drogas entre os 12 ou 13 anos de idade, que os jovens adolescentes movem-se do uso ilícito de substâncias legais (como tabaco, álcool e inalantes) para o uso de drogas ilegais. A seqüência do uso do tabaco e álcool para o uso de maconha ou inalantes, por exemplo, e então, para outras drogas tem sido encontrado em quase todos os estudos de longo-termo (que acompanham as pessoas por um longo período). A ordenação do uso de drogas numa progressão é largamente relacionado com normas e atitudes sociais e disponibilidade de drogas. Mas não se pode dizer que fumar e beber em idades precoces sejam as causas do uso de drogas mais tarde.

    O que se pode dizer é que alguém que já fumou ou bebeu, aumenta seu risco para passar a usar maconha em 65 vezes mais que a pessoa que nunca fumou ou bebeu. O risco para mover-se para uso de cocaína é aumentado em 104 vezes para quem já fumou maconha pelo menos uma vez na vida em relação a quem nunca fumou (Levantamento Nacional Domiciliar sobre Abuso de Drogas,1991/1993 – NIDA)

    As pesquisas têm sugerido, além de causas biológicas para a progressão do uso de drogas, causas comportamentais e sociais, tais como envolvimento precoce com pessoas com comportamento anti-social e usuários de drogas.De fato, todas estas possibilidades podem fazer parte.



    QUAIS SÃO OS ALVOS PRIMÁRIOS PARA INTERVENÇÃO PREVENTIVA?

    Relacionamentos na família, relacionamentos com pares, ambiente escolar e comunitário constitui-se, cada qual, nos principais settings (lugares) para a devida detenção da iniciação do uso de drogas.

  • Relacionamentos na Família. Os pais precisam aprender ou desenvolver habilidades para melhorar a comunicação familiar, estabelecer disciplina e regras firmes e consistentes. A participação dos pais na vida da criança deve ser ativa, incluindo conversar com elas sobre drogas, monitorar suas atividades, conhecer seus amigos, entender seus problemas e conceitos pessoais. O ambiente familiar acolhedor pode “nutrir” afetivamente suas crianças, para que estas possam, mais tarde, desenvolver relacionamentos positivos (nutritivos) em suas vidas.


  • Relacionamentos com Pares. O enfoque é no desenvolvimento de habilidades sociais competentes as quais envolvam melhora na comunicação, destaque para comportamentos pró-sociais e relacionamento com pares positivos, e habilidade para resistir e recusar drogas.


  • Meio Ambiente Escolar. A performance acadêmica é realçada e o forte vínculo do estudante com a escola são fundamentais. Através destes parâmetros se dá á criança e ao jovem um senso de identidade e realização diminuindo, também, a probabilidade de desistência escolar. Quando a criança entende os efeitos negativos das drogas (físicos, psicológicos e sociais), e ela percebe que seus amigos e familiares desaprovam o uso de drogas, ela tende a se afastar do início de uso.


  • Meio Ambiente Comunitário. A prevenção deve ser trabalhada nas organizações governamentais, cívicas, religiosas e na aplicação das leis. Em conjunto destacar-se as normas antidrogas e comportamento pró-social através de mudanças na regulamentação e da política sobres drogas, na mídia e na comunidade geral. As zonas escolares precisam de um desenho “drug-free” (livre de drogas).




  • A educação de crianças sobre os efeitos negativos das drogas, especialmente os mais imediatos em suas vidas, é um importante elemento de prevenção. Ajudar as crianças a serem mais bem sucedidas no seu comportamento escolar, a desenvolverem vínculos fortes com pares pró-sociais, com a escola e com a comunidade são alguns elementos centrais.

    Informações assim podem ser utilizadas por pais, professores, líderes comunitários e organizacionais. Os próprios pacientes em tratamento são veículos de prevenção, pois estão buscando importantes mudanças em suas vidas. Os dependentes em recuperação que experimentaram a chamada prevenção terciária (aplicada quando o problema já se estabeleceu e causou danos) fecham uma progressão e abrem um novo ciclo. Diante de qualquer ponto do ciclo progressivo da dependência, as estratégias de enfrentamento e mudança são possíveis.



    National Institute on Drug Abuse (NIDA).
    NIH publication No.99-421- Printed April 2003.

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    Outras Informações:

  • Hospital Albert Einstein
  • Cebrid






    (0xx41) 3267-6969