A Clínica Quinta do Sol está completando 27 anos de atividades. No início, com oito leitos, situada em uma residência modesta no bairro do Bom Retiro, a proposta era tratar pacientes alcoolistas. Pouco se falava em outras dependências. Gradativamente, a clínica foi aumentando sua capacidade de atendimento. Hoje, com vinte e cinco leitos, em uma área de três mil metros quadrados, oferece tratamento para dependentes químicos: álcool, tabaco, maconha, cocaína, crack e outras substâncias psicoativas. Alguns pacientes também são jogadores compulsivos.

A equipe, inicialmente pequena, cresceu significativamente e vem desenvolvendo experiências importantes nesta área. Somos mais de trinta profissionais trabalhando com o objetivo de atender aos pacientes, em suas diferentes necessidades. A farmacêutica, o professor de educação física, entre outros, complementam o trabalho do clínico, do psiquiatra e do psicoterapeuta. Voluntários (ex-pacientes), membros de AA, AL-ANON e NA (Alcoólicos, familiares e Narcóticos Anônimos) integram ativamente esta comunidade.

No ano de 2000 formamos a primeira turma do curso de especialização em dependência química, em andamento com novas turmas até hoje. Também formamos o quarto consultor em dependência química e uma nova turma começou a formação de dois anos. Nós, como equipe, estamos aprendendo junto com os novos colegas, fazendo da clínica também uma clínica escola.

Seminários, supervisões e grupos de estudos são alguns dos instrumentos deste complexo trabalho. Há necessidade de discutir cada caso, tentar entender o paciente em sua intimidade, onde ele mesmo não se compreende. Ajudá-lo a sair da armadilha que criou e tornou-se prisioneiro. Orientar e, às vezes, tratar sua família igualmente desorientada. Fazer diagnósticos (dependências, comorbidades); medicar, orientar, ensinar e tratar. Sobretudo, criar uma nova relação com o paciente, ajudá-lo a confiar no ser humano e confiar nele mesmo! Confiar que é possível (re)aprender a viver sem as drogas, usando a mente como seu principal recurso para a vida. Aprender, ainda mesmo que com os lapsos e recaídas, se assim for necessário. Continuar lutando, mas distanciando-se do autoritarismo que o condena: "não tem jeito mesmo!". Aceitar sua condição humana limitada e imperfeita. Buscar conhecer o homem que é, para melhorá-lo.

Já realizamos três seminários sobre dependência química, e este ano, assim como no ano passado, estaremos promovendo encontros mensais, onde contaremos com a presença dos principais profissionais da área.


José Carlos Vasconcelos
Diretor Clínico



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